Inteligência situacional: lições aprendidas com os três porquinhos

A Inteligência Situacional, uma das mais valorizadas competências executivas da atualidade, é um processo de raciocínio crítico que busca, seleciona, organiza e interpreta as informações, facilitando a compreensão da realidade e gerando conhecimentos importantes para a tomada de decisões. Ter Inteligência Situacional significa possuir conhecimento das circunstâncias. É a qualidade de estar vigilante, atento, percebendo, interpretando e compreendendo tudo o que está ocorrendo ao seu redor, dentro e fora da organização.

Esse processo de raciocínio, porém, não se desenvolve espontaneamente Ele vai sendo formado, desde a nossa mais tenra idade, fundamentado em conhecimentos, valores e experiências que vamos adquirindo e, assim, criando conceitos pessoais, sociais e profissionais que usamos como “filtros ideológicos” para tudo o que percebemos através de nossos sentidos. Através desses processos mentais de filtragem construímos nossa percepção da realidade, a qual nos levará a tomar decisões e agir diante das várias situações da vida, com acertos e erros.

Utilizarei a fábula dos “Três Porquinhos”, como uma metáfora empresarial, para ilustrar a importância da inteligência situacional como competência executiva. As fábulas têm sido muito utilizadas em treinamentos profissionais por sua analogia à realidade empresarial. São composições literárias com objetivo educativo que, em seu final, trazem uma moral ou lição a ser aprendida.

A história começa com os três porquinhos despedindo-se da mãe e saindo de casa para o mundo, em busca do sucesso. Após chegarem a uma região que julgaram agradável, construíram suas casas, cada um escolhendo o material (palha, madeira ou tijolos) que julgavam mais adequados, baseados na visão que tinham do mundo e nos avisos que haviam recebido sobre a provável existência de lobos na região.

O primeiro porquinho, imediatista, gostando de decisões rápidas e sem considerações de riscos, ignorou os alertas sobre os lobos e construiu uma casa de palha. Sua postura de resistência às informações e mente fechada para as opiniões de outras pessoas revelavam seu baixo grau de inteligência situacional. Quando o lobo atacou e destruiu a casa, ficaram evidentes os erros de imprevisão e incapacidade de reação.

O segundo porquinho construiu uma casa de madeira que, dentro de seus modelos mentais de segurança, seria suficiente para deter qualquer lobo. Mas o porquinho deixou de considerar um possível empoderamento da capacidade destrutiva do lobo e de sua forte vontade em atingir seus objetivos. O lobo veio, atacou e a casa resistiu ao primeiro ataque. O lobo, adversário inteligente, repensou suas estratégias, redimensionou seu poder e atacou novamente, destruindo a casa de madeira.

O terceiro porquinho, pragmático, compreendendo que só estaria seguro se estudasse corretamente a situação, atentou para todos os elementos do ambiente e, utilizando métodos adequados de análise, decisão e planejamento, projetou e construiu uma casa de tijolos, com vários recursos de segurança. O porquinho era um profissional prático, flexível e comunicativo, que não tinha medo de confrontar-se com problemas nem de ouvir sugestões.

Encarava-os como um desafio intelectual e focava-se entusiasticamente em sua solução. Sabia que não sabia tudo e estava constantemente buscando novos conhecimentos e, também, encorajando outros a fazer o mesmo. Seus hábitos ajudaram-no a criar uma casa ajustada às rápida mudanças de seus ambiente operacional e às oportunidades e ameaças nele contidas. Quando o lobo, que em nossa história representa crises e outros eventos destrutivos que podem afetar qualquer profissional ou empresa, surgiu e atacou, a casa estava preparada e resistiu.

Moral da história: Vivemos na era da competição total e. não importando qual seja sua indústria ou nacionalidade, existe, em algum lugar, um belicoso competidor pensando em como vencer você. Nosso grau de inteligência situacional é que irá nos guiar na tomada de decisões, levando-nos para o sucesso ou fracasso.


Da fábula dos Três Porquinhos podemos tirar muitas lições profissionais e empresariais sobre os recursos (políticas, organização, pessoas, liderança, infraestrutura, materiais, treinamento) com os quais montamos nossas organizações e sobre a forma como identificamos as ameaças e oportunidades (lobos) do mercado, mas a que nos interessa é a lição de Inteligência Situacional. Sem essa competência um profissional não consegue compreender suas forças e fraquezas, nem as da empresa e muito menos organizar adequadamente o uso dos recursos. Muitos dirigentes e executivos falham, deixando de estabelecer caminhos seguros para suas organizações, porque não sabem como raciocinam. Suas tendenciosidades, ideias preconcebidas e métodos inadequados de tomada de decisões, associados normalmente a grande dose de arrogância, criam vulnerabilidades de gestão que prejudicam a organização, colocando-a numa rota de enfraquecimento competitivo e permitindo que os “lobos” do mercado a destruam facilmente.

Isso tudo torna a inteligência situacional uma competência essencial para o sucesso. A história, seja da humanidade ou empresarial, está repleta de exemplos de sucessos e fracassos. Nos momentos de decisão nossa mente poderá ser uma amiga ou uma inimiga; os conhecimentos que nos tornam únicos e bem sucedidos são os mesmos que podem impedir nossa evolução. Precisamos pensar sobre como pensamos, entender nossos “mecanismos mentais”, entender como se formam nossos pensamentos e como tomamos decisões.

Mais importante ainda: entender como funcionam nossos filtros mentais que limitam nossa visão da realidade. Nossa mente poderá nos colocar no caminho da evolução, sendo receptiva a ideias inovadoras, ou da estagnação, repelindo novas ideias porque elas confrontam e desafiam nosso modo atual de pensar. O medo da mudança pode matar a mente; o eterno pavor de não podermos controlar a situação nos leva a todo tipo de racionalização para combater as informações que sejam contrárias ao conhecimento que já possuímos.

A vida nos exige, a todo momento, um aperfeiçoamento de nossas leituras das circunstâncias, como uma forma de ampliar nossa eficácia e nosso conhecimento do mundo que nos cerca e das rotas que estamos seguindo. Precisamos “abrir a mente” e buscar, continuamente, a melhoria de nossos conhecimentos, valores e expectativas. Precisamos estar atentos à forma como raciocinamos para que possamos deter qualquer “lobo” que surja em nossas vidas pessoal, social e profissional.

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Sobre Milton R. Almeida

Milton Roberto de Almeida é Administrador de Empresas com especializações em Gestão da Administração Pública, História Militar, Planejamento Político-Estratégico e Gestão de Recursos de Defesa (Escola Superior de Guerra). Atuou em empresas públicas e privadas nas áreas de Marketing, Vendas e Educação Corporativa. Lecionou disciplinas de Administração em diversas faculdades. Desenvolvedor e apresentador de treinamentos empresariais.
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