Cavalos mortos não vencem corridas nem empresas obsoletas conquistam mercado

Há um ditado, atribuído aos índios Dakota, dos Estados Unidos, que diz: “Quando você descobrir que está montando um cavalo morto, desmonte”.

Usando esse ditado como uma metáfora empresarial, vemos que o “cavalo morto” é uma representação de algo que deixou de existir, de funcionar ou de produzir os resultados esperados. Assim como um produto obsoleto, um serviço ineficiente, um software inadequado, uma máquina defeituosa, um mercado em declínio ou mesmo profissionais que se tornaram desmotivados, acomodados ou desatualizados.

E rapidamente descobrimos que “desmontar de um cavalo morto” significa abandonar velhas práticas de trabalho ou recursos que não mais proporcionam poder competitivo para uma organização. Mas essa não é uma tarefa fácil. Muitas pessoas, principalmente em funções importantes, não querem aceitar mudanças por vários motivos. Algumas são “linha antiga” e persistem em ver as coisas como elas costumavam ser, não aceitando as mudanças que ocorrem no dia-a-dia. Para outras, a evolução empresarial parece ser ameaçadora e difícil de manejar. Essas pessoas falham por não reconhecerem a importância da adaptação competitiva da empresa e necessidade de manter a visão, objetivos e estratégias sintonizados com o mercado.

Embora os dirigentes saibam que é necessário remover os “cavalos mortos” que retardam ou impedem a evolução dos negócios, muitos preferem adotar inúteis estratégias para tentar fazer o “cavalo morto” cavalgar novamente, como estas:

1. Comprar um chicote mais forte. Na empresa seria o mesmo que estabelecer regras mais rígidas, ser mais autoritário, pressionar por melhores resultados sem dar os recursos adequados.

2. Substituir os cavaleiros por outros mais competentes e mais leves para melhorar o desempenho do cavalo morto. É mesmo que querer que profissionais competentes sejam produtivos e eficazes dentro de uma estrutura obsoleta, utilizando recursos e materiais ultrapassados.

3. Dizer coisas como: “esta é a forma como nós sempre montamos este cavalo” ou “esta é a forma como sempre fizemos as coisas nesta empresa”. São palavras excelentes para desmotivar e impedir que as pessoas contribuam com ideias novas ou tentem melhorar os processos de trabalho.

4. Nomear um comite de Qualidade para estudar o “cavalo morto”. Normalmente, os “grupos de inovação” nas empresas podem fazer tudo, desde que mantenham o que já existe.

5. Organizar visitas a outras empresas ou países para ver como eles cavalgam cavalos mortos. Neste caso, as visitas servem apenas para buscar justificativas para manter o “status quo” existente.

6. Eliminar políticas e normas que digam que o cavalo está morto; demitir quem disser que o cavalo está morto. São políticas e comportamentos que servem para constranger as pessoas com ideias de inovação.

7. Criar um programa de treinamento para aumentar a capacidade de cavalgar o cavalo morto. Treinamentos, por si só, não provocam mudanças na cultura organizacional. Para que os treinamentos sejam eficazes, a alta administração deve estar comprometida com mudanças reais.

8. Contratar uma agência de publicidade para relançar o cavalo morto; fazer um website para o cavalo morto. Publicidade não é suficiente para atrair clientes para uma empresa que não tem qualidade no atendimento aos clientes ou oferece produtos obsoletos. A inovação no marketing precisa estar respaldada pela inovação geral da organização.

9. Colocar vários cavalos mortos juntos para aumentar a velocidade. Desnecessário dizer que a somatória de vários incompetentes não resulta em um competente ou, que vários produtos obsoletos não resultam em poder competitivo.

10. Comprar produtos que façam o cavalo morto galopar mais rápido. Adquirir novas tecnologias, por si só, não irá tornar uma empresa mais eficiente; é necessário também possuir as pessoas com as competências necessárias para usá-las, em um ambiente que estimule a criatividade, motivação e comprometimento com o desenvolvimento dos negócios.

11. Reduzir os padrões de desempenho para que o cavalo morto seja considerado eficiente. Reduzir as metas ou indicadores de desempenho, apenas para satisfazer a burocracia, é um erro muito grave que força para baixo a produtividade da organização.

12. Promover o cavalo morto a uma posição de gerência, acreditando que isto irá torná-lo mais motivado e produtivo. Isso pode resolver os problemas de algumas pessoas mas compromete o trabalho de muitas outras, além de afetar o desenvolvimento empresarial. A necessidade de tornar uma empresa competitiva não permite que se coloquem pessoas sem as devidas competências em posições de comando.

Esses são alguns exemplos, que podem ser enriquecidos com outros, de estratégias utilizadas para tentar reanimar cavalos (ou organizações) mortos. A dura lei dos negócios diz que é necessário evoluir continuamente para sobreviver. O sucesso empresarial, para ser mantido, exige que sejam identificados e removidos, sem complacência e rapidamente, os obstáculos que retardam a evolução competitiva de uma organização, sejam eles quais forem. Construir a empresa do futuro exige que se modifique a empresa de hoje.

Para “desmontar de um cavalo morto” é preciso, antes de mais nada, ter a coragem de reconhecer que o cavalo morreu. É preciso reconhecer quando um processo tornou-se ineficiente, quando um produto não atende mais as necessidades dos clientes ou quando uma pessoa que muito estimamos coloca os negócios em risco.

A lição que nos é deixada: o desenvolvimento empresarial exige inovação contínua, novas políticas e o descarte de práticas profundamente arraigadas em sua cultura e sistemas de trabalho. É uma questão de evoluir ou fracassar.

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Sobre Milton R. Almeida

Milton Roberto de Almeida é Administrador de Empresas com especializações em Gestão da Administração Pública, História Militar, Planejamento Político-Estratégico e Gestão de Recursos de Defesa (Escola Superior de Guerra). Atuou em empresas públicas e privadas nas áreas de Marketing, Vendas e Educação Corporativa. Lecionou disciplinas de Administração em diversas faculdades. Desenvolvedor e apresentador de treinamentos empresariais.
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