Novos tempos exigem líderes com múltiplas competências

Novos tempos, com mercados globalizados e competição mais acirrada, exigem que líderes empresariais, sejam gerentes ou diretores, tenham múltiplas competências (conhecimentos, habilidades, valores e comportamentos)que os possibilitem pensar criativamente e assumir riscos para desenvolver seus negócios. Dos novos líderes se espera ampla capacidade de adaptação para responder aos novos desafios do ambiente competitivo.

Reproduzo abaixo, por julgar de grande importância para os dirigentes empresariais, o artigo da jornalista Clara Massote, publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, Caderno de Empregos, em 01 de agôsto de 2010.

O reinado do superexecutivo chega ao fim

Mercado interativo e sistema produtivo mais aberto contribuem para mudanças nas organizações e no perfil de seus líderes.

Isolado em sua sala no último andar, o executivo toma as decisões que vão definir os rumos da empresa e afetar a vida de seus pares e funcionários. E ele as toma sozinho. Visualizou a cena? Pois agora esqueça.

O executivo atual nada tem de autoritário. É o que afirmam especialistas e profissionais que atuam na esfera corporativa e acompanham suas mudanças.
Para eles, o perfil da liderança do século 21 esta em construção.
Mas esta claro que deve conter características complementares, que, juntas, compõem um profissional capaz de realizar negócios de maneira eficiente, ainda que simples.

“Nove entre dez empresas que nos procuram em busca de um profissional para cargos de liderança pedem, antes de qualquer coisa, que ele seja flexível”, conta Bernardo Entschev, vice-presidente da De Bernt Entschev Human Capital, especializada em headhunting de executivos.
De acordo com Entschev, a liderança que atua de modo intransigente e um conceito anacrônico. “Hoje, o executivo deve lidar com a pressão que recebe sem repassá-la a seus subordinados. A abordagem é outra: ele deve ser inspirador.”

Um dos profissionais indicados pela DeBernt e LonginoMorawski, presidente da Harley Davidson Brasil. “Minha visão de negócios esta totalmente ligada a pessoas. Ninguém faz tudo sozinho. E a pior característica de um profissional é a prepotência”, afirma, enfático. Morawski, selecionado para chefiar a primeira filial da montadora americana no Brasil, atribui bons resultados a uma equipe sadia, comprometida e motivada por meio de metas objetivas. “Fico em uma sala semiaberta e estabeleço uma boa relação com os gestores. O líder moderno precisa entender mais de pessoas do que de técnica.”

Mercado. Para Ana Cristina Limongi-Franca, professora do Núcleo de Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, esta mudança que vai se configurando no perfil dos executivos e conseqüência do tipo de mercado que se tem hoje.

“É um mercado interativo, com um sistema produtivo mais aberto. Ferramentas tecnológicas como a internet e suas redes sociais possibilitam um acesso mais fácil do público aos procedimentos da empresa, a sua política e seus gestores”, diz. Segundo a professora, trata-se de outra forma de controle, mais baseada na interação do que na disciplina.

“Veja o caso do ex-técnico Dunga. Ele era duro, intransigente e todos sabemos que não obteve um bom resultado com isso.”

Gennaro Oddone, presidente da Tegma, empresa de gestão de logística, alega ter na coerência sua principal característica profissional. “Jamais vou pedir a um funcionário meu algo diferente daquilo que eu mesmo faria.”
Ele se considera um líder participativo, apto a dar liberdade para seus funcionários criarem e ate errarem. “A inspiração vem de forma natural quando o projeto faz sentido para todos.”

Esta inspiração a qual Oddone se refere esta ligada aos novos valores do sistema produtivo. E o que afirma Sueli Brusco, diretora-executiva da SimGroup, consultoria especializada em motivação. “Hoje, a imagem e tudo. Um líder deve estar voltado para a saúde e a sustentabilidade, tanto individual quanto coletiva”, afirma. “Assim, terá a admiração de seus funcionários. E você só consegue ser orientado por alguém que admira.”

Dinâmico, o novo profissional deve estar apto para desenvolver funções diferentes. E se antigamente o executivo deveria dar o sangue para o trabalho, hoje deve priorizar sua qualidade de vida, aliando competência a satisfação de realizar sua atividade profissional.
Orientação seguida a risca por Odonne. “Trabalhar somente pela remuneração não motiva ninguém por muito tempo”, alega.

Para ele, a imagem do super executivo que da conta de tudo e atribui a si próprio os bons resultados não funciona mais. “Não pode mais haver aquela distancia entre chefia e colaboradores. O tempo do reinado acabou.”

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Sobre Milton R. Almeida

Milton Roberto de Almeida é Administrador de Empresas com especializações em Gestão da Administração Pública, História Militar, Planejamento Político-Estratégico e Gestão de Recursos de Defesa (Escola Superior de Guerra). Atuou em empresas públicas e privadas nas áreas de Marketing, Vendas e Educação Corporativa. Lecionou disciplinas de Administração em diversas faculdades. Desenvolvedor e apresentador de treinamentos empresariais.
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