Existe um sabotador na sua empresa?

>Não existe um. Existem vários! E todos estão, neste momento, agindo para reduzir a produtividade, os lucros, provocar a perda de clientes e desmotivar outros empregados.

As ações de sabotagem do trabalho descritas abaixo foram traduzidas, de forma livre para facilitar o entendimento, do manual da OSS – Office os Strategic Services (que deu origem à CIA – Central of Intelligence Agency), publicado em 1944, descrevendo métodos de sabotagem do trabalho. Elas podem ser úteis para nos alertar sobre ações de concorrentes ou funcionários insatisfeitos que podem prejudicar a produtividade e lucros de nossas empresas.

AÇÕES GERAIS DE SABOTAGEM COM INTERFERENCIA SOBRE A PRODUTIVIDADE

1. Insiste (o sabotador) em fazer tudo pelos canais hierárquicos. Nunca permite contatos diretos entre diferentes níveis hierárquicos. Dificulta a tomada de decisões.

2. Nas reuniões faz “grandes discursos”. Fala sempre que possível e demoradamente. Ilustra suas colocações contando casos baseados em suas experiências pessoais. Nunca hesita em fazer comentários desnecessários.

3. Quando possível, delega todos os assuntos a comitês, “para estudos mais profundos e detalhados”. Tenta formar comitês com o maior número possível de participantes – nunca menos que cinco.

4. Nas reuniões coloca em discussão, frequentemente, assuntos de pouca importância .

5. Exige comunicações em palavras precisas, leis e resoluções.

6. Refere-se sempre a assuntos solucionados anteriormente e tenta reabrir as discussões para uma melhor avaliação das decisões.

7. Defende “cautela extrema” e “racionalidade”, pressionando outras pessoas para que sejam “cuidadosas” e evitem decisões e ações que possam resultar em constrangimentos ou dificuldades mais tarde.

8. Mostra-se preocupado sobre a “legitimidade” das decisões tomadas – questiona sempre se as decisões estão dentro das competências hierárquicas ou legais do comitê ou se poderiam conflitar com as políticas organizacionais de algum nível hierárquico mais alto.

AÇÕES BUROCRÁTICAS DE SABOTAGEM REALIZADAS POR GERENTES, SUPERVISORES E OUTROS CHEFES

1. Exigem sempre ordens escritas.

2. “Interpretam erroneamente” ordens recebidas. Fazem perguntas sem fim ou escrevem longos questionamentos sobre as ordens recebidas. Discutem sobre ninharias sempre que possível.

3. Fazem o possível para retardar o cumprimento das ordens ou o atendimento de solicitações de trabalho. Embora partes ou fases do trabalho possam ser entregues quando estiverem prontas, só o fazem somente quando todas estão concluídas.

4. Não solicitam a reposição de materiais de trabalho até que todo o estoque atual tenha sido consumido, ocasionando um atraso nos trabalhos até a chegada de novos materiais.

5. Solicitam materiais de altíssima qualidade, difíceis de conseguir. Se você não fornece, reclamam que não podem trabalhar sem eles. Advertem que materiais de qualidade inferior geram trabalhos inferiores.

6. Na execução dos trabalhos, começam sempre pelos menos importantes. Asseguram-se que trabalhos importantes sejam executados por trabalhadores ou máquinas ineficientes.

7. Insistem na perfeição do trabalho em produtos relativamente menos importantes. Devolvem os produtos com as mínimas imperfeições para que sejam refeitos, gerando mais demoras e custos adicionais. Aprovam outros com partes defeituosas não visíveis a olho nu.

8. Cometem erros de logística ou distribuição para que produtos ou materiais sejam enviados para clientes ou locais errados.

9. Quando treinam novos empregados, fornecem informações e conhecimentos incompletos ou incorretos.

10. Para diminuir a motivação, e com ela a produtividade, agradam os empregados ineficientes e dão-lhes imerecidas promoções ou benefícios. Discriminam os bons trabalhadores; reclamam injustamente do bom trabalho que fazem.

11. Convocam reuniões nos momentos em que há muito trabalho crítico, urgente, a ser realizado.

12. Multiplicam a burocracia de todas as formas possíveis. Começam duplicando arquivos.

13. Multiplicam as normas, procedimentos e controles referentes às atividades de trabalho. Exigem, por exemplo, que três pessoas tenham que aprovar, assinar ou autorizar tudo onde apenas uma seria necessária.

14. Seguem e aplicam todos os regulamentos rigidamente, ao pé da letra.

AÇÕES BUROCRÁTICAS DE SABOTAGEM REALIZADAS POR EMPREGADOS ADMINISTRATIVOS

1. Cometem erros aparentemente comuns ou inocentes durante a execução do trabalho ou ordens recebidas: confundem nomes similares, usam endereços errados, erram nas quantidades ou valores.

2. Demoram a responder a correspondência, emails e telefonemas.

3. Desarquivam documentos essenciais.

4. Fazem cópias (com carbono ou impressas) insuficientes para que o trabalho tenha que ser refeito.

5. Quando atendem ligações telefônicas de pessoas importantes para os dirigentes ou patrões, dizem que estes estão ocupados ou atendendo outras ligações.

6. Retardam o envio de correspondência, deixando-a para a próxima coleta.

7. Disseminam rumores perturbadores que funcionam como redutores da motivação e da produtividade.

AÇÕES BUROCRÁTICAS DE SABOTAGEM REALIZADAS POR EMPREGADOS EM GERAL

1. Trabalham devagar. Imaginam todos os meios possíveis de retardar o trabalho: usam um martelo leve ao invés de um mais pesado; fazem pouca força quando uma maior é necessária.

2. Inventam quantas interrupções do trabalho forem possíveis. Demoram mais que o necessário para trocar as ferramentas com as quais estão trabalhando. Se estão medindo algo, fazem-no duas vezes mais que o necessário. Quando vão ao banheiro, ficam mais tempo que o necessário. Esquecem ferramentas para ter que voltar para buscá-las.

3. Mesmo que entendam o idioma, fingem não entender instruções numa língua estrangeira.

4. Alegam que as instruções são difíceis de compreender e pedem para que as mesmas sejam repetidas várias vezes. Ou percebem que você está ansioso para fazer seu trabalho e o sobrecarregam e atrasam com questões desnecessárias.

5. Fazem um trabalho sem a qualidade esperada e dizem que as ferramentas ou máquinas ou equipamentos são ruins. Reclamam dizendo que esses recursos os estão impedindo de fazer um bom trabalho.

6. Nunca repassam seus conhecimentos, habilidades e experiências para novos ou menos qualificados empregados.

As ações descritas são apenas uma amostra dentro de um universo infinito. A lista poderá ser bem aumentada se imaginarmos o que um empregado insatisfeito ou revoltado poderá fazer com um pequeno tubo de cola, com um copo de água que cai acidentalmente, ou com o apertar de uma tecla errada no computador. O resto fica por conta de sua imaginação.

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Sobre Milton R. Almeida

Milton Roberto de Almeida é Administrador de Empresas com especializações em Gestão da Administração Pública, História Militar, Planejamento Político-Estratégico e Gestão de Recursos de Defesa (Escola Superior de Guerra). Atuou em empresas públicas e privadas nas áreas de Marketing, Vendas e Educação Corporativa. Lecionou disciplinas de Administração em diversas faculdades. Desenvolvedor e apresentador de treinamentos empresariais.
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