Universidade corporativa: nova necessidade para o fortalecimento competitivo

> A notícia inserida abaixo foi publicada no jornal “O Estado de São Paulo” (www.estado.com.br), no dia 13 de maio de 2007, confirmando o que temos observado nas salas de aulas das universidades: a desqualificação profissional é cada vez maior e (o artigo não menciona) a maioria dos alunos está interessada apenas no diploma para atender às exigências, na maioria das vezes desnecessárias, do mercado de trabalho.

As empresas, para suprirem a carência de competências de seus funcionários, montam as denominadas “universidades corporativas”, especialmente desenvolvidas para atender necessidades específicas de treinamento e desenvolvimento profissional e comportamental.

Eis o texto:

Investimento em mão-de-obra cai há 10 anos
Valor destinado pelo governo para qualificação profissional recuou de 0,39% para 0,33% do PIB

Marcelo Rehder

O Brasil regrediu no gasto com formação e qualificação de mão-de-obra na última década, ao contrário da retórica do governo Lula. Em 1995, os recursos para esse tipo de programa, repassados pelos Ministérios do Trabalho e da Educação e pelo Sistema S (composto por oito instituições cujas siglas começam com S, como Senai e Senac), representaram 0,39% do Produto Interno Bruto (PIB) e beneficiaram 6,1% da População Economicamente Ativa (PEA). Dez anos depois, caíram para 0,33% do PIB, atendendo a 5,2% da força de trabalho.

Nesse mesmo período, o número de brasileiros desempregados quase dobrou – de 4,5 milhões para 8,9 milhões. Apesar disso, falta mão-de-obra especializada no mercado. Empresas como a Embraer, Weg e Pão de Açúcar têm que se virar para resolver as limitações dos trabalhadores disponíveis, muitas vezes transformando seus escritórios e fábricas em salas de aula.

‘O que o Brasil gasta nessa área não é desprezível, mas a eficiência desse gasto é bastante duvidosa’, diz o economista Márcio Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autor do estudo sobre investimentos na formação e qualificação de mão-de-obra.

Segundo ele, em relação ao PIB, os gastos do País nessa área equivalem aos de nações desenvolvidas, como França e Bélgica. A diferença, destaca, é que o Brasil não tem um sistema nacional de formação profissional. ‘Ainda prevalece a fragmentação institucional, o que leva a uma disputa entre os programas dos ministérios e do Sistema S, sem atender ao perfil da demanda das empresas.’

Conforme o estudo do economista, o volume de recursos para formação e qualificação profissional atingiu R$ 7,1 bilhões em 2005. Desse total, R$ 5,9 bilhões vieram do Sistema S. Suas escolas são financiadas pelo recolhimento de 1% sobre a folha de salários das empresas.

Além da contribuição compulsória, um número cada vez maior de empresas têm que fazer o papel de escola. A Embraer, por exemplo, tinha dificuldade para recrutar engenheiros especializados na fabricação de aviões. A saída foi promover estágios e cursos de 18 meses no Programa de Especialização em Engenharia da empresa.

Criado em 2002, em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o programa já treinou 810 engenheiros. Todos foram contratados pela Embraer. Os investimentos da empresa nessa nesses profissionais já chegam a US$ 107 milhões. Em 2006, foram US$ 29,6 milhões. ‘Abrimos 100 vagas este ano’, informa Eunice Rios, diretora de Desenvolvimento e Pessoas da Embraer.

No primeiro mandato de Lula, o Ministério do Trabalho repassou só R$ 265,8 milhões para qualificação profissional. No segundo mandato de FHC (1999-2002), foi mais de R$ 1,5 bilhão. Para este ano, estão previstos R$ 120 milhões de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para esse fim. Na reunião do Conselho Deliberativo do FAT (Condefat), na sexta-feira, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu a ampliação do valor. Para ele, é preciso pelo menos triplicá-lo este ano e muito mais em 2008.

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Sobre Milton R. Almeida

Milton Roberto de Almeida é Administrador de Empresas com especializações em Gestão da Administração Pública, História Militar, Planejamento Político-Estratégico e Gestão de Recursos de Defesa (Escola Superior de Guerra). Atuou em empresas públicas e privadas nas áreas de Marketing, Vendas e Educação Corporativa. Lecionou disciplinas de Administração em diversas faculdades. Desenvolvedor e apresentador de treinamentos empresariais.
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Uma resposta para Universidade corporativa: nova necessidade para o fortalecimento competitivo

  1. Anonymous disse:

    >Parabéns! Você conseguiu transmitir com poucas palavras a essência da coisa!

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